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Estoques dos EUA crescem, mas petróleo tem alta forte

Os preços do petróleo tiveram uma alta forte na quarta-feira (03) em reação à queda do dólar e à melhora do índice dos gerentes de compras da China (PMI) referente ao setor de serviços em janeiro.

Isto É Dinheiro Online
A alta acelerou à tarde, com a declaração do presidente do Equador, Rafael Correa, de que seu país fez um pedido formal para que a Opep faça uma reunião extraordinária em fevereiro, para discutir uma possível redução em sua produção. Com o ganho de hoje, os preços recuperaram boa parte da queda de mais de 11% registrada nas duas sessões anteriores.

Os preços subiram apesar de os estoques dos EUA terem crescido mais do que se previa na semana passada. Segundo o Departamento de Energia, os estoques de petróleo bruto tiveram um crescimento de 7,792 milhões de barris, para 502,712 milhões de barris (“níveis não vistos nesta época do ano pelo menos nos últimos 80 anos”, diz o relatório). Os economistas previam um crescimento de 3,5 milhões de barris. Os estoques de gasolina também cresceram mais do que se previa e os de destilados tiveram uma redução menor do que a expectativa, mas a produção dos EUA recuou para 9,214 milhões de barris/dia, de 9,221 milhões de barris/dia na semana anterior.

Em Nova York, o preço do petróleo recuou imediatamente depois da divulgação dos dados do DoE, para a mínima de US$ 29,40 por barril, mas voltou a subir em seguida.

“Em si mesmo, o declínio modesto na produção de petróleo dos EUA não é muito positivo para os preços da energia. Mas o fato de ela estar desacelerando em 2016 está mantendo viva a ‘centelha de esperança’ de que a produção esteja finalmente revertendo”, disse Tyler Richey, um dos editores do The 7:00 Report.

Os preços do petróleo haviam continuado a cair durante a madrugada, no mercado asiático, mas passaram a subir depois de a consultoria Energy Aspects divulgar relatório estimando que as reservas estratégicas de petróleo bruto da China tiveram um crescimento de 140 milhões a 150 milhões de barris em 2015. “Temos a expectativa de ver em 2016 um crescimento similar, de 150 milhões de barris, embora alguma redução seja provável até 2017″, diz o relatório. Com isso, os participantes do mercado deram maior atenção ao índice PMI de serviços da China, que subiu a 50,1 em janeiro, de 49,4 em dezembro.

O analista Phil Flynn, do Price Futures Group, disse que muitos traders preveem uma queda da produção global ainda neste ano, por causa do “dano dramático” já provocado nas empresas do setor pelas quedas de preço.

O principal fator para a alta dos preços, porém, foi a queda forte do dólar no mercado de moedas. Indicadores fracos de atividade no setor de serviços alimentaram a expectativa de que o Federal Reserve não volte a elevar as taxas de juro neste ano. O PMI de serviços da Markit recuou para 53,2 em janeiro, nível mais baixo desde o fim de 2013, de 54,3 em dezembro; economistas previam que ele subisse para 54,7. Com isso, o PMI composto, que leva em conta também o índice de atividade industrial, caiu a 53,2 em janeiro, o mais fraco desde outubro de 2013, de 54,0 em dezembro. O PMI de serviços do Instituto para Gestão de Oferta caiu a 53,5 em janeiro, de 55,8 em dezembro, quando a expectativa dos economistas era de que ele ficasse em 55,0. Em reação a esses dados, o dólar caiu mais de 1,5% diante do iene, enquanto o euro subiu mais de 1,6% frente à moeda norte-americana.

O estrategista Valentin Marinov, do Credit Agricole, disse que “a aversão global ao risco está fazendo sua próxima vítima. O Banco do Japão tentou reagir com taxas de juro negativas e o Banco Central Europeu tentou fazer um discurso mais ‘dovish’; o próximo alvo para os mercados é o Fed”.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para março fecharam a US$ 32,28 por barril, em alta de US$ 2,40 (8,03%); a máxima do dia foi em US$ 32,57 por barril. Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para abril fecharam a US$ 35,04 por barril, em alta de US$ 2,32 (7,09%), com máxima intraday em US$ 35,30 por barril. Fonte: Dow Jones Newswires


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